Alternativa
Na testa ou no pulso, a medição é segura
Raios infravermelhos dos termômetros não causam nenhum tipo de dano ao cérebro
Jô Folha -
Os protocolos de saúde determinam uma série de ações de segurança para que os estabelecimentos possam funcionar durante a pandemia. Uma destas exigências é a controle da temperatura dos clientes antes de acessarem os espaços. Os locais iniciaram as medições com os aparelhos apontados para a testa dos consumidores mas, com a não obrigatoriedade da medição ser realizada desta forma, alguns estabelecimentos passaram a realizar esta checagem no pulso, sob a alegação de estudos científicos e pela reação dos clientes.
O uso de termômetros com sensor infravermelho para avaliar se os indivíduos possuem coronavírus tornou-se algo comum. Usado em larga escala nos estabelecimentos, seus métodos causaram diferentes reações na população. Há pessoas que não sem importam em ter a temperatura medida na testa, mas outras se mostram desconfortáveis, o que gerou comentários de que o ato se assemelha a apontar uma arma para a cabeça da pessoa.
Este desconforto dos clientes foi uma das motivações que levaram os estabelecimentos, como supermercados e academias, a mudarem a forma como verificam a temperatura dos clientes. Não mais realizando a medição na testa, ela passou a ser checada através do pulso. “Os clientes se sentiam invadidos com os termômetros apontados para a testa. As pessoas se sentiam violentadas e, no pulso, é mais tranquilo, fica mais confortável. E esta é uma prática que acontece em outros locais. É muito comum ver em Porto Alegre e outras cidades as medições acontecerem no pulso”, explica o gerente-geral de um supermercado da cidade, Manoel Savedra.
Outro fator que motivou a troca da medição da testa para o pulso é a questão científica. O gerente-geral do estabelecimento diz que, embora seja um tema ainda em discussão, há relatos de que a temperatura, quando checada na testa, pode apresentar variações. A comunidade científica realmente confirma que este tipo de medição na cabeça pode ter alguma pequena variação, mas em situações específicas como, por exemplo, se a pessoa ficou muito tempo exposta ao sol. Entretanto, este tipo de contexto é totalmente de exceção. Dentro das ações cotidianas, não ocorrem estas diferenças nos índices. “O termômetro infravermelho é um aparelho preparado para medir as temperaturas na superfície da testa. Se usa a testa por ser uma área mais exposta e rápida, tanto que é bastante utilizado com crianças. Tirando este tipo de situação pontual, não ocorrem variações. Não existe diferença técnica entre medir na testa e no pulso”, comenta o médico Mauro Pavesi.
Boatos ganharam força nas redes sociais
Outro fator que fez com que as pessoas desconfiassem da medição na testa são os possíveis danos à glândula pineal. Circularam informações de que o raio infravermelho apontado para a testa poderia ser prejudicial à saúde. Entretanto, a informação não procede (é fake news). A comunidade científica realizou estudos que comprovaram que não existem riscos. Engenheiros técnicos do equipamento e profissionais da saúde esclareceram que nunca foi relatado nenhum paciente que tenha tido problemas na glândula devido à medição da temperatura pelos raios infravermelhos. “Ele é um termômetro estritamente de superfície, preparado para isto. Não afeta a saúde”, esclarece o médico.
pelot
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